Ao mesmo tempo que os crentes são chamados a orar pelas autoridades (1Tm 2.1-3) e sujeitarem-se a elas (Rm 13.1-7), também são descritos na Bíblia como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-14), sendo ordenados a praticarem boas obras que, à vista dos gentios, serão identificadas como feitas para a glória de Deus (Mt 5.16).
Mas será que o fato de serem sal e luz também abarca a atuação política? Sim, com certeza. Quando o Senhor levou seu povo cativo à Babilônia, ordenou que os crentes construíssem casas, tivessem filhos, crescessem e buscassem a paz na cidade onde estavam (Jr 29.5-7). Mesmo no cativeiro, o Senhor abençoaria seu povo, o sustentaria e multiplicaria. Assim como fizera com José e Daniel, o faria com seu povo na terra por meio de um remanescente fiel.
Se pararmos para pensar, mesmo que manchado pela queda, o mandato cultural (de dominar a terra e cultivar o jardim, cf. Gn 1.28) permanece, de modo que “buscar a paz” na cidade em que estamos ainda é requerido. Apesar de o ambiente ao nosso redor ser, muitas vezes, hostil à fé que professamos (como o era durante os cativeiros que o povo de Deus enfrentou), professar os valores bíblicos que cremos durante o pleito eleitoral é uma das maneiras de sermos “sal da terra e luz do mundo”.
É claro, não devemos depositar nossas esperanças em políticos, afinal, o Senhor Jesus deixou claro que seu reino não é deste mundo (Jo 18.36). Outrossim, enquanto ainda estamos nesta peregrinação terrena, aguardando o reino que virá, devemos lutar contra o mal e em favor das verdades fundamentais que Deus nos deixou registradas em sua palavra. Afinal, “se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?”. (Sl 11.3)
Por mais que opinar ou mesmo conviver em um ambiente politizado como o nosso possa ser altamente estressante, sempre houve épocas em que se envolver com a política tornou-se urgência aos cristãos. Cito um caso: na década de 70, Francis Schaeffer (relevante teólogo e crítico cultural cristão), ante a legalização do aborto nos EUA, envolveu-se com a política. E assim, “ajudou a mobilizar os evangélicos americanos para a política, e na literatura sobre a chamada direita religiosa costuma aparecer entre as figuras centrais do seu surgimento, ao lado de outros líderes, instituições e processos.”
Como igreja, não devemos assumir vieses na política partidária. Ao ensinar a sacralidade da vida desde a concepção, a dignidade humana, a moralidade do trabalho, os limites do poder do Estado e, acima de tudo, a soberania de Deus sobre a esfera política, a igreja já está se posicionando, sinalizando os valores eternos que lhe foram dados por Deus.
Agora, como crentes individuais, somos cidadãos que devem exercer seus direitos de maneira iluminada e temperada, defendendo a mensagem do evangelho e participando dos sistemas criados neste mundo para, pela graça comum, refrear o mal. Pois bem: votar em candidatos mais alinhados aos valores cristãos é um deles.
Vote, confie no Senhor e jamais deposite fé em homens, pois Deus é o único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores (1Tm 6.15).
Que Deus tenha misericórdia e seja louvado entre nós, hoje e sempre.
Foto: Gerada por IA
Por: Rev. Estevam Herculano de Almeida Machado